Monday, May 13, 2013

Para se falar de socialismo nacional


Não faz muito tempo que me contaram sobre uma seguinte gafe encontrada em redes sociais, que achei que seria um tema interessante de se comentar: 

'Mas você é instruído o suficiente para discutir isso socialismo nacional comigo?'

O tema do socialismo nacional - mais conhecido como nazismo - é delicado, pode acabar se tornando ofensivo para muita gente, e sim, é necessário um mínimo de conhecimento para ser discutido. Obviamente a pessoa não pode ser uma total ignorante no assunto, o que talvez até dê razão para essa primeira parte da gafe... mas como se julgar alguém que nem conhece se ele é ou não experiente o suficiente pra discutir esse tema?

A gafe acima seria apenas prepotente, não fosse sua continuação: 'Só digo que todo extremismo é ruim' (numa paráfrase mais leve). A afirmação não é de todo falsa, mas é, no entanto, a resposta padrão: 'tudo que mata gente, que discrima, que é ditadura é ruim'. A afirmação é portanto incrivelmente superficial e soa como desculpa de alguém que quer fingir e mostrar que sabe mas, por não saber absolutamente nada, se esconde atrás do argumento de que o outro não é 'estudado' o suficiente para discutir e, portanto, já se coloca acima da pessoa sem precisar discutir nada em profundidade com ela. Ou seja... seria a pessoa que duvidou da instrução do outro realmente preparada pra discutir alguma opinião sobre socialismo nacional?

Eu diria que absolutamente, não. 

Outro argumento muito usado pra quem quer esconder ignorância é 'fazia sentido pro contexto da época'. 

Em história, TUDO acontece por causa de um contexto e tudo vai sim fazer algum sentido dentro dele. É a lei mais básica de quem realmente quer estudar história e não só decorar um monte de datas, nomes e fatos soltos. Entender as causas e conseqüências é necessário para se entender o contexto, e dizer que 'o contexto fazia sentido' não afirma, de forma alguma, que a pessoa sequer saiba que contexto é esse. A revolução francesa, revolução russa, chinesa, a guerra civil no Japão, os conflitos na Alemanha dividida, a queda do Império Romano, tudo isso fazia sentido pro contexto e dizer isso não atesta conhecimento histórico.

Hiperinflação da época da República de Weimar
Mas vamos lá - o que faz uma pessoa instruída o suficiente para se discutir o nazismo?

Eu diria um conhecimento mínimo de história alemã desde pelo menos a unificação - saber a data da unificação é sempre bom, e dica, não foi no meio da idade média muito menos na época do Rococo na França e apenas na França - até a reunificação das Alemanhas oriental e ocidental; conhecimento sobre a primeira guerra, tratado de Versailles, sobre a mentalidade alemã desde antes da primeira guerra começar; e obviamente, ao menos um curso ou um livro lido sobre a ascensão e queda do terceiro Reich. Até Wikipedia tá valendo, apesar de ser Wikipedia, sério. Apenas tome uma pequena parcela de seu tempo pra ler algo de conteúdo.

Mas o mais importante, eu diria? Bom senso. Ter noção de que sair postando citações de Hitler por aí, enfiando suásticas em tudo que é lugar, fotos de nazistas a torto e a direito e ficar o tempo todo falando como sabe disso pode não só ofender alguém, como atestar ignorância nível criança de quinta série que resolve comprar todo o material escolar temático de um desenho animado. Aliás, mentir que fala ou até falar alemão perfeito também não faz de ninguém um especialista em nazismo - por muito tempo, até os próprios alemães não sabiam o que era o nazismo tamanho o esforço dos novos governos de esconder os fatos da nova geração. Na Alemanha comunista, por exemplo, nunca nada se foi dito das mortes de judeus - o foco sempre era nos assassinatos dos comunistas, como se tivessem sido as únicas vítimas. Os maiores monumentos em homenagem às vítimas do holocausto foram construídos pós-reunificação, como o Memorial aos Judeus Mortos da Europa do Eisenman ou o Museu Judaico do Liebeskind, na década de 90 e em 2000 e tantos, quando finalmente se ganhou a noção de que para que algo não se repita na história, é necessário nos lembrarmos do horror que foi, e não empurrar pra debaixo do tapete.


O memorial de Peter Eisenman em Berlin

E como toda a ideologia, o nazismo não foi apenas um 'vamos matar todo mundo de quem não gostamos no mundo', como muita gente costuma simplificar, assim como comunismo não foi bem um 'vamos ser todos iguais e felizes'. O comunismo na China e atrás da cortina de Ferro deixou dezenas de vezes mais mortos do que os nazistas, por mais que hoje em dia muitos universitários metidos a revolucionários achem a melhor coisa do mundo se esquecendo de como Mao Tse Tung tentou matar todos os professores da China para sua igualdade intelectual nivelada por baixo, ou como os russos reusaram o campo de Sachsenhausen por 5 anos após o final da guerra. E o nazismo não começou, amplamente, como uma ideologia de genocídio, apesar de que a idéia já estava na cabeça dos grandões do partido - isso obviamente iria impedir que os nazistas, e por conseqüência Adolf Hitler, conseguissem subir ao poder sem interferir (muito) nas votações para chanceler. Os ataques aos judeus começaram apenas algum tempo depois que o partido subiu, primeiro com leis de casamento e cidadania, depois com boicotes e com a Noite dos Cristais em 1938. Isso quer dizer que eram bonzinhos no começo? Não. Quer dizer, na verdade, que sabiam muito bem os argumentos a serem usados com uma população que se sentia vítima do governo da República de Weimar por Hitler sempre ter se visto como vítima também, fosse do pai, dos empregadores, e dos judeus. De onde tirei isso? Está escrito em Mein Kampf, do qual ainda apenas li uma primeira parte, mas foi o suficiente para saber que esse cara tinha alguns probleminhas e complexos (e tiques nervosos) que Albert Speer descreve claramente no próprio livro. Muitos ganham a impressão de Hitler como uma pessoa carismática em seus discursos, raivosa, sempre atuando em sua carreira política atrás da exterminação dos judeus, quando na verdade, por trás das cortinas, ele é descrito por muitos como uma pessoa entediante e cheia de manias. Obviamente, como qualquer pessoa com problemas, ele tinha seus surtos de raiva e ataques nervosos, mas o que mais se fala dele - pelo menos da perspectiva do Speer - é que era uma pessoa pouquíssimo qualificada, até meio bipolar, e muitíssimo influenciável. Os nazistas começaram ganhando a guerra porque pegavam os aliados de surpresa, mas não por planejamento tático - mas sim porque Hitler era tão inexperiente, que as ordens que dava ao exército não faziam o menor sentido, causando, portanto, uma confusão no começo, e uma derrota esmagadora no final, uma vez que os aliados finalmente notaram que tudo aquilo era pura falta de planejamento de um amador.

Alguém vai pensar duas vezes antes de sair citando Hitler em redes sociais agora, não é?




Uma outra mania de gente que gosta de se mostrar especialista em nazis é a insistência em criar personagens-fetiche por causa dos uniformes, ou por causa dessa 'essência do mal' que é vista em praticamente todas as discussões de nazismo, superficiais ou não. Muitos até se fixam nessa coisa de homossexualismo entre oficiais, e uma diquinha que alguns esquecem? Os nazistas matavam os homossexuais a sangue frio como faziam com doentes mentais e aleijados, e dificilmente imagino que oficiais do alto escalão se arriscassem a realizar essas práticas - rolava muita, mas muita mesmo, espionagem (pra não dizer fofoca de lavadeira) interna dentro dos prédios administrativos entre cada membro do partido com a finalidade de se conhecer segredos uns dos outros para, assim, conseguirem mais status e favores do Führer. Quem já ouviu falar no Martin Bormann talvez saiba também como ele caçava por falhas dos outros e era um dos maiores manipuladores dedo-duro ali no meio, fazendo o velho se voltar até contra alguns dos favoritos como Göbbels, Göring, Himmler e o quase inofensivo Speer. Portanto, por mais que esse tipo de coisa possa rolar em trincheiras com soldados desesperados que não vêem mulheres há meses ou anos... não era tão comum assim entre o alto escalão, e muito menos algo 'legal' ou 'estiloso'. Alguém se lembra que Ernst Röhm era um dos grandões e foi executado  por Himmler, seu próprio amigo de adolescência, em parte por ser homossexual? Pois é. A seita Sol Negro de Heinrich Himmler muito menos era fonte desse tipo de coisa, por mais cretino que o nome possa parecer...

Heinrich Himmler e muitos SS de uniforme...


A coisa é: gente que se mete a falar de nazismo sem conhecer o básico ou ter um mínimo de bom senso não tem direito de julgar quem é ou não instruído o suficiente pra discutir o tema. Até hoje existem pessoas que lembram de parentes que morreram nas câmaras de gás ou nos campos de trabalho. Uma amiga pessoal da minha mãe ouviu histórias sobre o sofrimento da própria mãe, sobre irmãos e tios que morreram, e uma professora minha morre de medo de colocar os pés na Alemanha não importando o quanto digam que hoje é o lugar mais tranquilo que existe para judeus. Portanto, pense muito, mas muito bem antes de ir falar pro mundo que é um especialista em nazismo, que é alemão de nascença (cof), ou que sabe falar alemão perfeito enquanto ainda não sabe nem sequer usar vírgulas com a própria língua materna. É um assunto delicado, e se sair explorando isso sem conhecimento ou cuidado, pode-se não apenas ofender alguém, como atestar ao mundo o altíssimo nível da própria ignorância. 

O tema Segunda Guerra Mundial me interessa muitíssimo e eu tenho uma curiosidade grande tanto pela Alemanha quanto pela Rússia, o que me leva a ler sobre o assunto. Não me acho nenhuma grande especialista, pelo contrário - ainda há dezenas de livros sobre o tema que comprei, mas não pude ler ainda. Há milhares de fatos que me escapam da minha atenção, e gente, como a história da União Soviética é obscura... e, apesar disso, me arrisco a discutir. Não vou julgar quem também quiser se arriscar a tal, pois muitas vezes é o jeito que temos de aprender... mas ninguém tem o direito de simplesmente ser puramente arrogante e negar uma discussão por julgar, em sua própria cabeça, que o outro não tem instrução suficiente e se esconder atrás da cortina dos argumentos clichê que escondem falta de conhecimento. 

Friday, May 10, 2013

Enterrem o cavalheirismo

Em plena época de mudança e de carregar caixas de papelão enormes pra lá e pra cá é que notei, com ainda mais certeza, como cada grupo social tem seu conjunto de atitudes.

Parte do que senti pode ser uma birra recente pelo fato de que todo indivíduo do grupo em questão já foi ou filha da puta comigo, ou teve atitudes desrespeitosas com outras pessoas... mas a questão é que a minha paciência chegou ao limite, mesmo. Não vou dizer com todos, porque todo grupo social tem suas exceções boas e seus extremos ruins, mas estou me referindo àqueles que, como o tema é cavalheirismo, tem 'nojo' ou 'raiva' de mulheres.

Sim, me vejo no direito de criticar porque sim, me sinto ofendida quando alguém diz que tem 'nojo' de mim só por causa do meu sexo, ok? Isso já é discriminação e quem discrimina, não tem direito de reclamar quando ouvir o que não gosta sobre si. Aliás, isso não é uma crítica àqueles com bom senso e sem dor de cotovelo contra quem não tem nada a ver com a escolha deles, e que sabem manter a educação com todos como qualquer pessoa civilizada deveria fazer. Estou criticando especificamente essa parcela do grupo que se acha especial a ponto de poder discriminar outros só por se verem como vítimas.

Tenho o hábito de receber muita coisa pelo correio, entre elas, caixas relativamente pesadas. Pego meus pacotes numa central a 15 minutos a pé do meu apartamento, e como não tenho carro aqui na cidade, levo todos os meus pacotes a pé até o quarto andar do meu prédio sem elevador.

Não reclamo de nada disso porque tudo pode ser pior - pelo menos tenho a vantagem de não precisar estar em casa pra receber um pacote, de não ter problemas com alfândega, e de saber que nessa central, meu pacote está em segurança. E também não reclamo porque por vezes recebi ajuda para carregar os pacotes, em algumas ocasiões.

Uma vez, foi um casal da minha faculdade que me ajudou a levar uns três pacotes até a porta do meu apto. Outra, um garoto normal, estudante de matemática, que também me ajudou até a porta. Uma terceira, um senhorzinho em seus mais de 70 anos que apesar de estar ocupado fazendo campanha da própria igreja - e olha que não sou uma pessoa religiosa - ofereceu levar um pacote grande, pesado mesmo, o caminho todo do correio até minha casa e depois voltar a pé sozinho, sendo que era visível que no final do trajeto de ida o pobrezinho estava exausto. E a quarta, uma moça, mãe de algum estudante, me ajudou com um equipamento de fotografia até o prédio de artes.

Não estou acostumada com esse tipo de ajuda porque onde morava com minha família, o pessoal é nariz empinado mesmo e nem olha pra quem precisa de ajuda, e portanto fiquei realmente agradecida. Aconteceu apenas uma vez por semestre, fato, é relativamente pouco... mas aconteceu.

Eis que hoje fui comprar caixas de papelão do Storage Center quando coincidentemente encontrei o caminhão deles perto de casa. Comprei umas várias porque sempre - parece lei de Murphy - SEMPRE perco esse caminhão e se não for ele, tenho que comprar caixas grandes que se eu encher de livros, são simplesmente incarregáveis, enquanto eles vendem umas menores que apesar de ficarem pesadas, consigo erguer sozinha. Mas eu por vezes subestimo o peso do papelão em si... e bom, não preciso nem dizer que apesar do trajeto ser só de 7 minutos, me levou quase 20.

Mas o assunto não é quanto pesa o papelão - mas sim, a atitude da criatura que caminhou do meu lado, indo na mesma direção, claramente membro dessa parte do grupo acima descrito... e, em vez de ajudar, esperou que eu olhasse pra ele pra desviar o olhar de mim, - que sim, ele estava olhando - arrebitar o nariz e sair andando mais rápido na minha frente.

Não é obrigação de ninguém ajudar ninguém. Obrigação, não é - é apenas educação, bom senso, gentileza. Não espero que o mundo me ajude, aliás, andei aprendendo a nunca depender de mais ninguém pra não acabar me machucando. O que me deixou realmente fula e com vontade de matar... foi a arrebitada de nariz e a aceleradinha com quadril rebolando, sabendo que essa criatura viu, sim, que eu estava com dificuldade pra carregar aquilo e que ainda era muito menor do que ele. São essas atitudes que me faz ter asco desse tipo de gente e que me impede de ser uma boa pessoa a todo momento. -_-'

Mas pra que eu seria uma boa pessoa com alguém que tem nojo de mim?

Pois é, a sociedade moderna e suas modinhas, liberdades e essa mania adolescente-tardia de se achar superior por ser diferente e querer se vitimar mesmo tendo uma vida melhor que a média tem matado o que se lutou tanto pra conquistar. Igualdade agora é um eufemismo pra complexo de superioridade e tratamento VIP, pra algumas pessoas... que, na minha opinião, perdem todo o argumento quando tentam forçar sua presença sobre os outros. O cavalheirismo hoje em dia está morto, pelo menos na maioria das pessoas, assim como algum restinho de moral e bons costumes.

Saturday, April 20, 2013

Casa, doce casa

Acho que a coisa que mais me empolga em me graduar é saber que independente de para onde eu for, vou ter meu próprio lugarzinho para arrumar do jeito que eu quiser. 

A graduação não me assusta no sentido de finalmente ter que sair e procurar emprego - na verdade, me deixa triste só porque eu realmente amo a unviersidade e a cidadezinha, por pior que seja o clima e por mais parada (comparando com outras capitais estaduais) que ela seja. Nunca gostei de cidades enormes, tenho a impressão de que movimento demais atrai coisas demais e essas coisas quase sempre são indesejadas - vulgo passeatas de gente esquisita na Paulista e pessoas bizarras que gostam de escandalizar no metrô da Liberdade. A coisa é que vou realmente sentir falta da rotina das aulas daqui, trabalhos, dos cenários já familiares e de algumas pessoas que gosto de conversar mas que não são propriamente amigos com quem manterei contato para o resto da vida.

É muito difícil manter contato com alguém pelo resto da vida, mesmo. Ainda mais se a fase da adolescência - principalmente a tardia - vier no meio. oo' 

Falta pouco mais de um mês até os alunos serem chutados dos dormitórios e começar o caos de todas as portas do prédio serem abertas pra ninguém ficar pra fora quando o acesso por cartão for desabilitado - um estresse desgraçado, mas uma época estranhamente aliviante pois costuma ser antes das enormes férias de verão. E pra quem ficar até, realmente, daqui a um mês, - o pessoal que ainda não se gradua tem que sair antes - é época de ir atrás de onde morar, seja sozinho ou de volta na cidade natal.

Ainda quero voltar pra cá pra tentar um mestrado, mas devo passar no mínimo um ano em algum lugar de quase minha escolha, dependendo dos empregadores, e sim, pra um ano já tenho idéias de como vou querer morar. É esse o tamanho da vontade de morar sozinha e decorar um apartamento pequeno por mim mesma. Não, não quero nada grande porque não quero pagar caro demais, dá muito trabalho pra limpar e não vai ser lugar pra acumular gente. o.o' 

Por enquanto estou na fase de 'pensando em fazer a limpa' e planejando como quero que a coisa se pareça. 


Um pouco bucólicos demais, mas seria legal o quarto ser claro. Não precisa caber muito mais que uma cama, um armário, a mesinha de cabeceira e estantes, sim, por favor.  Quem sabe uma mesa de notebook ou pra coisas simples, essa da imagem de baixo é uma gracinha apesar de dispensar o lustre e o pé direito um pouco alto demais.


A mesinha de cabeceira tem que ter espaço pra livros e água. E um abajur, claro. E a cama é um lugar sagrado - tem que ser confortável e de preferência sempre limpa. :3 Em cima ou nas paredes muito penduraria fotos bonitinhas ou até coisas minhas.


Fora o quarto, precisaria de um estúdio/atelier/escritório com espaço suficiente para uma mesa que caiba computador, notebook, cintiq com outra CPU pro trabalho pesado e multifuncional, e ainda sobre espaço para desenhar e/ou customizar bonecos, caso eu realmente vá pra frente com isso. Além da mesa, teria de ser cheio de estates pra livros e um armário ou uma estante fechada para os bonecos, - ando evitando deixar eles expostos à luz a não ser que seja realmente necessário - um sofázinho para visitas muito íntimas, e, se der, um canto pra coisas que ocupam mais espaço... tipo telas. Não sei se algum dia vou voltar a pintar com tradicional, mas se acontecer, é bom ter um espaço sujeito a tinta. O ideal seria esse escritório ter uma varanda pra fixadores e pra sempre dar uma ventilada no ambiente, e se dividir a varanda com o quarto, melhor ainda. A estante ainda precisaria de espaço pra toda a tralha e materiais que eu morro de pena de jogar fora e desperdiçar.
























Para banheiro e cozinha, não cheguei a pegar referências, mas o ideal é - claro e limpo. Não precisa ser enorme - só prefiro branco, se possível, com água quente e fria, e limpo. Banheiro também é um lugar sagrado e é, sou fresca com sujeira em qualquer parte da casa e não me entra na cabeça como alguém consegue deixar algo sujo por muito tempo ou deixar imundice na cama, se é que me entendem. Para sala, não precisa ser nada altamente sofisticado, só aconchegante. Não sei nem se preciso se uma tv - assisto tv a cabo quase uma vez ao ano e costumo ver filmes e séries no computador, então... o.o' Em vez de investir em televisão, devo escolher uma internet boa e de alta velocidade e é isso aí. 

Nada disso é definitivo e ainda há um longo caminho, apesar do pouco tempo, mas vamo que vamo.

Tuesday, April 16, 2013

spring is coming

A primavera finalmente chegou na cidade e apesar de um dia gelado de chuva, os outros dias tem sido bem agradáveis por mais que o vento daqui seja meio assustador. É bom poder sair na rua sem camadas e camadas de casacos e sem ter que se encolher pra se aquecer até chegar na sala de aula - só se precisa agora de um casaco leve e voilá, conforto.

Não gosto de dias quentes demais, aqueles que deixam os ambientes internos abafados. Prefiro os dias que dentro de casa fica quentinho, e fora ainda tem aquele restinho de frio que deixa agradável sair no sol e se aquecer ao natural, mas que ainda dá pra passar um friozinho na sombra. O vento algumas vezes ajuda a refrescar, mas na maioria das vezes ele quer é derrubar os pobres pedestres... e vento forte assim costuma ser sinal de chuva. A parte boa é que não tem mais como voltar para o frio de rachar os ossos que estava algumas semanas atrás - a primavera veio, finalmente, pra ficar.

Dias abafados não são bons em questão de temperatura... mas admito que sinto saudades da humidade, já que clima seco, pra quem está acostumado ao clima tropical, machuca de tirar sangue. Mesmo. Principalmente quem trabalha muito manualmente, desenhando, pintando, mexendo com químicos, e quem é neurótico como eu que a cada coisa que toca e que pode estar sujinha precisa lavar a mão de novo e nem sempre lembra de repassar o creme hidratante. Minha mão está num estado deplorável, adicionando a um outro machucado que anda levando meses pra sarar, - felizmente agora está quase - mas é, eu não aprendo a deixar as mãos quietas porque não consigo. Simples assim. Oo

Mas, apesar disso, o clima de agora me deixa feliz e as flores vão começando a aparecer pra tirar o ar melancólico de inverno daqui.


Aos poucos as coisas vão sendo resolvidas e acabando - mais um único projeto grande pra acabar e posso voltar a me concentrar nas minhas coisas e nas coisas que faço com uma amiga - e isso deixa uma sensação estranha de como vai ser de agora em diante. Os resultados dos empregadores ainda não saíram, o que me faz ficar fantasiando sobre o que vai começar assim que a faculdade acabar e me deixando nervosa, mas até que otimista. Eu quero muito ter um apartamento ou casa próprios, mesmo sendo alugado, por enquanto, num lugar diferente e poder arrumar tudo do meu jeito. E poder aproveitar um pouco de paz solitária sem me preocupar com a maluca que corre pro chuveiro na minha frente quando ouve um barulhinho da minha porta, que manda limparem o fogão sendo que ela mesma manchou a parede com um troço asiático fedorento amarelo e nunca levantou um dedinho pra limpar nada no apto, com festinhas na cozinha com gente desconhecida entrando no apartamento, ou com pessoas esquisitas que esperam chegar na minha porta pra berrar no celular e quase me matar do coração. É... eu sou meio chata, mas quem goste de tomar susto que jogue a primeira pedra. oo'

Só sei que ao mesmo tempo que não quero sair da minha faculdade, - eu amo esse lugar, reclamo das colegas de quarto mas da faculdade eu gosto - quero também me ver estabilizada no meu lugarzinho.


Sunday, April 7, 2013

Be yourself, be unique, sem precisar de aplausos

Já faz alguns poucos anos que as bonecas conhecidas como Monster High andam invadindo as prateleiras das lojas de brinquedo e desaparecendo em questão de poucos dias graças a sua popularidade com crianças e com colecionadores mais velhos... e faz algumas semanas que elas resolveram invadir o meu quarto. 

Sério isso? õo
Confesso que, quando vim a conhecê-las, não achei grande coisa. Parte de mim não queria se deixar gostar por algum tipo de preconceito tanto com ‘fashion dolls’ quanto com esse conceito de ‘monstros no colégio’ - uma coisa que sempre me incomodou é essa mentalidade de que todo mundo é doido para ser popular e chamar a atenção, estendendo isso até mesmo para os nerds. A minha experiência com nerds é que  não precisamos e muito menos queremos nos comportar como crianças de colegial loucas por popularidade que, muitas vezes, são aquelas que mais incomodam - mas sim apenas ficar no nosso canto, sem buscar por aplausos por já estar feliz do jeito que é – a razão, inclusive, que nunca pude gostar do seriado Glee e sua premissa. 

Acho que alguém que se diz nerd mas quer chamar a atenção com isso é, na verdade, não um nerd, mas um 'hipster' - a forma de agir, de se vestir de maneira esdrúxula, de fazer coisas 'nerds' porque está na 'moda' e querer sempre ser o centro das atenções. Já soube de alguém que levou um boneco, desses que também coleciono mas prefiro deixar em casa, para um evento qualquer e deu ataque de periquita quando não chamou a atenção que gostaria. -_-' 

No entanto, nessa minha de igualar as bonecas com tal seriado devido às semelhanças temáticas, acabei não dando a elas chance alguma e não procurei saber mais, pois tinha pegado uma birra muito séria depois de dar até três chances a ele pensando que não poderia ser assim tão ruim. A única coisa que me agradava era olhar o trabalho de algumas customizadoras, mas nunca achei que viesse a gostar das pobres das MH. 


Cleo e Nefera, pela artista EngelMech
 Mas devo admitir que tenho coração mole quando o assunto é bonecas. Como não sabia que havia um desenho animado, - sabia que se tratava de um colégio pelo título da coleção – imaginei que um possível comportamento das personagens não poderia me incomodar como me incomoda no seriado em questão. Nesse momento ainda não tinha assistido a web série curtinha delas ou os filmes também curtos, e mesmo depois que o fiz, vi que era bastante diferente do seriado mesmo sendo um ambiente de escola americana semelhante. E, por mais que os primeiros episódios sejam bobos e sem desenvolvimento de personagens ou algum roteiro interessante, pelo menos tive um pouco de vontade de seguir assistindo já que há uma diferença gritante entre episódios de seriado de colegiais babacas que magicamente resolveram cantar e vídeozinhos de menos de dois minutos sobre monstrinhas, mesmo que talvez patricinhas.

Além disso, esse semestre resolvi treinar face-ups nos meus bonecos por ter conseguido um resultado satisfatório durante as férias e achar que seria útil e, quem sabe, até fonte de uma graninha extra quando eu conseguisse definitivamente fazer face-ups decentes. E eis que me veio a idéia de pegar uma MH baratinha para treinar, já que a escala poderia me ajudar a pegar a finura do traço no pincel. Encontrei uma Draculaura na Amazon pela pechincha de $15, comprei e quando ela chegou... bem, tenho que admitir que minha curiosidade ficou atiçada. 

Foi aí que resolvi dar a chance e começar a assistir os episódios de menos de dois minutos, já que não doía nada e por eu não gostar de ter preconceitos sem motivos ou justificativas. A coisa é que quando a história começa a realmente ter um roteiro a ser seguido, apesar de demorar um pouco, fica até interessante. Não é nenhuma obra prima, nenhum avant-garde e muito menos um roteiro sério, mas o engraçado é que o desenho animado ensina lições de moral que gente com mais de vinte anos nas costas que conheço devia aprender. Há inclusive conflitos familiares em um dos filmes, que, apesar de algumas poucas pontas soltas, não deixa muito a desejar como um roteiro apropriado para crianças que prenda a atenção. No fim das contas, as personagens não são chatas nem, pelo menos pra mim, irritantes - por mais que eu detestaria alguém na vida real parecido com a Cleo de Nile, no desenho animado ela me faz rir. A Cleo é, aliás, a única que gosta de chamar a atenção e ser popular, sem concorrência por popularidade já que a maioria dos personagens prefere ficar na deles. Isso foi realmente inesperado.  


'Oh Cleo... talk is like the desert sand - it's worth nothing and changes direction with the four winds.'
 A coisa legal é: as personagens de MH tem seus defeitos, e os roteiristas não sentiram a obrigação de fazer com que os defeitos de cada uma fossem transformados em coisas boas e muito menos fazê-las lutar a unhas e dentes para parecem as melhores pessoas do mundo, o que poderia vir a tornar todas tão insuportáveis quando – novamente, minha opinião – um certo personagem muito popular do seriado citado que eu simplesmente não consigo olha pra cara. As personagens tem seus defeitos e não precisam de aplausos, pelo contrário – elas admitem e sabem das mancadas que dão. Não precisam provar a ninguém como seus defeitos não são defeitos. E é isso que me atraiu nelas. As tais – como elas mesmas chamam – ‘Freaky Flaws’. 


 'Candy is like cheese from Yak - it gets better with age.'
Outra coisa que gostei bastante foi a forma como variaram cada personagem em um mesmo contexto. Adicionaram tipos físicos diferentes, como a Draculaura, que é a mais pequenininha, e a Abbey, que é a maior e mais forçuda de todas, – apesar da critica de que não há nenhuma personagem mais gordinha poder ser apresentada – personalidades, etnias e até nacionalidades. É fácil ver como a Clawdeen é a típica negra norte-americana de personalidade forte e decidida, ou a Operetta a perfeita Rockabilly do interior, ou a Abbey a garota russa que tem costumes muito diferentes das outras e muitas vezes é considerada grossa ou esquisita.


'Ghouls, I spend a lot of time in the catacombs and I ain't never heard of it.'
Claro, como toda série feita para crianças de 8 a 12 anos, MH tem seus defeitos – a presença constante da moda, vaidade e consumo sendo uma delas. Não me entra na cabeça como a Draculaura, tendo seus 1600 anos de idade, ainda é obrigada a ir ao colégio e se comporta igual ou até mais infantilmente que muitas das outras, ou como a Frankie com poucos dias de vida já sabe falar, andar e até se vestir sozinha e pode ir direto pro colegial... mas o público alvo provavelmente prefere que seja assim para que a história fique mais simples e sejam capazes de se identificar. Afinal, se a Draculaura se comportasse realmente como uma garota de 1600 anos, não acho que ela conseguiria ter a imagem ‘fofa’ que atrai os fãs e dificilmente teria a ingenuidade que tem, muito menos estaria no colégio. Não faz sentido... mas ainda assim a personagem é carismática. oo'


Toralei, que já fez o papel de antagonista na grande maioria das vezes...
Como toda história para crianças, MH tem seus vilões, sejam eles personagens que fazem sua aparição em um especial ou até o famoso ‘bully’ escolar, representado por Toralei e as gêmeas para as garotas, ou Manny Taur para os garotos. Mas todos esses não são sempre colocados como grandes 'malvados' - confesso que fiquei impressionada como conseguiram aprofundar esses personagens, coisa inesperada em desenhos animados do gênero. A curiosidade me fez ler o 'diário' que vem com a boneca da Toralei, onde ela mesma declara que não entende a graça em 'chutar alguém que já está no chão', emocionalmente falando... e inclusive dá uma ajuda em segredo a uma garota que havia acabado de conhecer, jamais pegando para si os créditos por isso. Pode ser coisa pequena que eu não notaria, se não tivesse conhecido uma criatura que espalha para o mundo qualquer pequeno favor que fez a alguém, o que faz parecer que ela só ajudava para se vangloriar depois - e depois de um tempo, notei que era realmente isso. Foi aí que comecei a gostar mais dessa personagem. Por isso e pela cena que fizeram com ela e um laser. Acho que a pessoa que pensou nisso conhecia gatos muito bem. XD 


Tenha gatos, eles disseram. Vai ser divertido...
Outra sacada legal foram os zumbis, que tem uma língua própria de gemidos e grunhidos e se movem praticamente em câmera lenta, além de serem temidos só quando andam em bando. A zumbi do grupo principal, inclusive, é uma nerd viciada em quadrinhos que sonha em ir à Comic Con - o que achei genial, já que normalmente os fãs de zumbis costumam ser os nerds e não qualquer garotinha que gosta de lobisomens ou vampiros por ter assistido a saga Crepúsculo (argh) ou ser viciadinha nos contos da Anne Rice. Talvez seja pedir muito a Mattel, mas uma referência ao contemporâneo the Walkind Dead poderia ser bem interessante. Uma pena que não acho que fariam um especial com um ataque zumbi - zumbis mordendo, pessoas sangrando e violência escatológica não me parece adequado à proposta deles. 

No fim das contas, Monster High não é lá a maior criação de todas, com o roteiro mais interessante ou os melhores personagens de todos... mas me diverte e, graças ao time de criação da Mattel, não apela pra uma certa modinha profundamente irritante que anda sendo enfiada em tudo hoje em dia como se fosse prestação de serviço social. Quem tiver um tempinho livre e quiser rir um pouco enquanto almoça na frente do pc, como eu costumo fazer, pode tentar checar pra ver se agrada. 

A mim agradou e me fez perder o preconceito que tinha antes. :3

Thursday, April 4, 2013

Reloginho de prioridades

Um dos males que aflige grande parte das pessoas hoje em dia é a chamada falta de tempo. As mudanças de poucos anos pra cá faz com que todos façam tudo na pressa, múltiplas coisas ao mesmo tempo, sem parar um segundo para relaxar... e pensar. Ou simplesmente descansar, dormir direito, aproveitar umas poucas horas para um hobby ou uma atividade de lazer. As pessoas andam com todos os compromissos no próprio bolso, sem conseguir ficar sem olhar o celular por mais de alguns minutos, respondendo e-mails enquanto almoçam ou até enquanto andam na rua. 

E não tem coisa que as pessoas mais gostam de mostrar do que como são ocupadas e não têm tempo pra nada.

Porém, é complicado dizer que se é uma pessoa mais esforçada só por se enterrar em trabalho. Eu sinceramente acho que sair se ocupando com um monte de coisa que nunca é aquilo que se gosta de fazer é muito perigoso - não tem coisa mais destrutiva que auto-decepção, frustração, ou o sentimento de incapacidade. Fora o estresse, que pode até ter conseqüências na saúde física da pessoa. E, além disso, fazer coisas na pressa sempre comprometem o resultado final, e isso acaba sendo uma escolha entre quantidade e qualidade.

Portanto, não há nada de errado em ter um pouco de tempo livre para cuidar de si mesmo. Claro, não é bom se pendurar em outras pessoas e nunca fazer nada tanto para o outro quanto para si mesmo e todos temos que trabalhar e/ou estudar para que possamos, assim que possível, atingir estabilidade por nós mesmos e cortar o cordão que nos faz, ou fazia, depender de nossos pais. Saber que se sustenta sozinho, que paga o próprio aluguel ou o financiamento da casa própria e pagar as próprias contas pode parecer pra muitos assustador - ainda mais pra adolescentes hoje em dia - mas são os passos necessários para que a pessoa saiba, realmente, cuidar de si mesma.


E por cuidar de si mesma, não quero dizer parecer o cara mais trabalhador do mundo pros amiguinhos do feicibúki e nem ir atrás de um macho endinheirado pra poder se encostar - digo ter consciência da própria saúde, ser responsável pelos próprios atos e saber organizar o próprio tempo, já que o ser humano tem tão pouco. Resumindo, é não sair fazendo besteira. 

Pra ser muito sincera, acredito que são muito poucos por aí que realmente nunca tem tempo de nada. Meu pai está com três empregos, trabalhando com dezenas de propostas até no domingo, mas sempre reserva um tempo pra treinar, que é o que ele mais gosta, e um pouquinho pra falar com os filhos - mesmo acordando as 5 da manhã praticamente todos os dias. Tenho uma amiga que ficou tão mal de estresse com o tanto de trabalho que estavam colocando nas costas dela como presidente do dormitório internacional que teve que organizar o próprio tempo e conseguiu viajar de volta pra casa em Istambul num final de semana pra arrumar as idéias em paz. Tenho uma amiga que praticamente cuidou da própria mudança e reforma do apartamento em cima da hora com a ajuda de poucas pessoas sem deixar de lado suas obrigações e ainda, de vez em quando, reservava um tempinho para amigos. E tem quem se vira pra ajustar um fuso horário cretino e não perder contato com amigos, como eu mesma e pessoas que conheço já fizeram.

O que alguns chamam de falta de tempo, eu chamo de organizar prioridades.

Eu já pedi carinhosamente que lembrassem de mim enquanto eu estivesse geograficamente afastada. Sempre recebi recusas por causa da tão conhecida falta de tempo, que a ocupação é muita, e isso não me incomodaria tanto... se não fosse pelo fato de que, pra me pedir pra me deslocar até o centro da cidade pra comprar coisas que nem são do meu interesse sem receber o dinheiro adiantadamente ou pra pedir pra usar o meu próprio cartão de crédito no paypal, todo mundo arranjava tempo.

É por isso que acredito que a questão de falta de tempo está sempre ligada à questão de prioridades. A pessoa reservava o tempo dela para pedir favores, pesquisar itens na internet e, consequentemente, esperar dinheiro emprestado, mas não para bater papo. E eu, de boa vontade na primeira, segunda e uma quase terceira vez, não fosse por uma infecção que peguei no tornozelo que fazia andar a coisa mais dolorosa da face da terra, andava até o ponto de ônibus e ia fazer o que me fora pedido, mesmo que tivesse trabalhos para fazer ou preferisse simplesmente ficar em casa fazendo as minhas coisas e cuidando do meu lazer. E isso comparando o nível de prioridade de conversa x artigos de luxo e formação acadêmica x boa vontade de me deslocar. Alguém identificou algum pequeno desequilíbrio de sacrifícios?

E quando não aguentei a injustiça e reclamei praticamente explodindo, recebi um e-mail bem mal-educado da pessoa tentando estragar meu feriado e pedindo 'desculpas' sarcásticas por não poder falar comigo, por estar tão ocupada com tudo, isso declarando no começo da mensagem que não estava arrependida de nada... mas pra pedir favor, o tempo sempre existiu. As pessoas esquecem do que lhe é conveniente, ainda mais quando é algo que diz respeito a elas. Empatia zero, diga-se de passagem. Deviam colocar a pobrezinha em perigo de extinção.

Ainda por cima, no mesmo e-mail teve a pachorra de me acusar de mentir quando disse que me importava com ele. Fui mais de uma vez até o centro da cidade de ônibus e a pé andando no mínimo uma hora de ida e volta num vento abaixo de zero pra passar constrangimento na loja, já que não sou bem a cliente esperada. Mais de uma vez torrei 80 dólares que só ia ver de volta meses depois sem nem cobrar a taxa do cartão em vez de ficar quietinha na minha casa e até consumi o tempo e a boa vontade da minha mãe numa das últimas... e tem a PACHORRA de dizer que não me importo!? Sendo que disse já disse que se importava comigo mas pedir favor tá na frente de bater papo na fila da importância?

Não sei descrever o nível de emputecimento que me consumiu no momento que li aquilo.


Mas sei que não me importo mais, mesmo. Achei importante citar aqui porque, como disse, prefiro ser sincera e dar a cara a tapa em vez de tirar sarrinho pelas costas no feicibúki trancado para um grupo limitado, mas a real é que passou tanto tempo durante o qual eu me fiz não pensar nisso por ter coisas mais importantes (que iam decidir meu futuro) pra fazer, que grande parte da raiva já passou.

Falando em feicibúki, imagino se esse fulano já disse pra uma certa pessoa o que andou falando sobre ela e o namorado em vídeos escondidos por lá. Antes de eu perguntar o mesmo, claro, porque depois quem tem cu, tem medo. 

Engraçado... é que agora não sinto mais nada. É estranho como, depois que a idéia amadurece um peso é levantado dos ombros quando falam na sua cara que você não precisa mais se importar e sua barreira protetora fica mais dura. A única coisa que sinto é gratidão pelas poucas pessoas que já vieram ter comigo uma conversa civilizada depois de um problema em vez de acusar e atacar, com a intenção de machucar, mesmo. 

Como uma amiga minha já disse uma vez: quando as pessoas se afastam por muito tempo, aprendemos a viver sem elas. É só questão de tempo, e é triste, mas assim é o ser humano e seu ciclo de relacionamentos.  


A conclusão disso tudo é: cada um arranja tempo para o que lhe é importante. E essas prioridades muitas vezes podem dizer muito sobre alguém. Há quem prefira sacrificar sua própria vontade pelos outros, e há aqueles que, numa relação, vêem primeiro o que será mais vantajoso para si e depois se ocupam de cobrar as obrigações do outro - nunca as próprias. Alguém precisa editar a definição de ser humano na wikipedia e adicionar a palavra 'egoísta' ali no meio, porque sim, no fundo, todos somos um pouco e, quando não, aprendemos a ser depois de ver como funciona. 

E as escolas precisam ensinar o que é empatia, pois desconfio que muitos nem saibam o que essa palavra significa.

Wednesday, April 3, 2013

Será que agora vai?

Acho que muita gente gosta de ter um lugarzinho para escrever, desabafar, falar sobre coisas que muitas vezes não são lá o que as pessoas gostam de ouvir... por mais que muita gente pense o mesmo, só não tenha coragem de admitir. Senti falta de um blog pra escrever em português - inglês pode ser uma língua mais universal, mas acho legal valorizarmos a nossa própria. Anda cada vez mais raro.


Deixo como aviso aos navegantes que falarei, nesse post introdutório, sobre mim e ninguém mais - há que confunda os conceitos.

Acho sinceridade melhor do que falsidade, por mais que ela por vezes possa doer. Mas algumas lições da vida só se aprende ralando, tropeçando e se machucando, e acho melhor agradecer pelo aprendizado do que ter medo e passar a vida sem nunca entender como ela funciona. Acho que quando queremos dizer algo é melhor dizer logo do que acumular mágoas, e descobri que quando todos são sinceros a relação fica muito mais simples. Sou uma pessoa caxias que gosta de ficar em casa e ter poucos, mas confiáveis, amigos. Gosto de poucos - poucas pessoas, pouco movimento, poucas saídas - e nadas - nada de barulho, de falsidade, de bagunça. Por essas e outras tenho que admitir que sou meio nazista, por mais que eu gostasse de evitar o termo, não com a origem de alguém, mas sim com atitudes. Não entendo festas, caçadas atrás de machos, encher a cara, precisar estar rodeado de gente o tempo inteiro, e muito menos como alguém em sã consciência decide que quer morar numa das casas de fraternidade com um maldito banheiro por andar.

Claro, cada um cuida (ou descuida) da própria vida como quiser e não é da minha conta… contanto que ninguém espere que eu aplauda ou incentive. Porque não vou. E nem vou fazer a escrotidão de dizer 'eu avisei' quando algo ruim acontecer, prefiro deixar implícito e, além disso, porque não vou avisar mais, pra não virem me dizer depois que ofenderam minha moral e meus bons costumes. Bom, pelo menos eu tenho algum. E faz bem pra saúde. Gosto de mutualidade, principalmente em questão de respeito. Quem não sabe respeitar não merece ser respeitado. Ponto.

Prefiro comemorar conquistas pessoais a datas, mas comemorar do meu jeito - o que muitas vezes é reservar umas duas horinhas do dia pra assistir aquele season finale de Walking Dead comendo um fudge cake da Cheesecake Factory, me demorar com gosto na Creperie comendo bem com $10 e curtindo uma Nutella, - doce Nutella - ou curtindo meus bonecos. Minha comemoração é me dar o direito ao ócio e a gordelícias. Uma festa enorme só me causa dor de cabeça.  

Detesto quem acha que o mundo gira em torno de si e/ou que tem complexos de vítima. Aqueles fulanos que querem usar absolutamente tudo pra mostrar como é infeliz, mesmo sendo coisas que não dizem respeito a ela. Pior que esses, só consigo imaginar aqueles que culpam a própria incompetência nos outros, ou ainda, que passaram a vida tendo alguém pra passar a mão na cabeça que são incapazes de admitir um erro e, portanto, acham que são a imagem de tudo que é bom no mundo por serem 'especiais' e que qualquer um que diga uma verdade desagradável é automaticamente o culpado desafiador que precisa se desculpar.

Gosto de ler coisas bem escritas e tentar escrever minhas histórias relativamente bem, por mais que ainda esteja em treinamento. Gosto de desenhar e praticar todo dia, mas sou um pouco auto crítica demais, o que me faz manter um pé atrás com pessoas que já acham que alcançaram o ápice artístico e costumam virar pseudo-artistas medíocres. Vaidade excessiva me incomoda, assim como quando me dizem que eu sou 'linda' como alguma forma de consolo já que realmente não me importo se sou ou não. Nunca entendi a busca obsessiva pela beleza que chega a sacrificar dinheiro, tempo, paciência e até mesmo a saúde de algumas pessoas. Acho que temos que ser saudáveis, não deslumbrantes.

Adoro, amo, sou viciada em bonecos. Não uso eles para compensar presença humana porque não tenho necessidade de compensar presença humana. Fico muito bem quando estou sozinha, na minha, fazendo as minhas coisas. E elas, agora, serão prioridade. Meus bonecos mais queridos são personagens que eu mesma criei e escrevo sobre, outras apenas itens de colecção, modelos para fotos ou uma forma para extravasar criatividade. Amo quadrinhos, seriados com um roteiro interessante e, de vez em quando, assistir coisas bobas apenas pra relaxar.

E algo que me deixa triste é ver como flores em um quarto duram tão pouco.
 

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