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| Sério isso? õo |
Confesso
que,
quando vim a conhecê-las, não achei grande coisa. Parte de mim não
queria
se deixar gostar por algum tipo de preconceito tanto com ‘fashion dolls’
quanto
com esse conceito de ‘monstros no colégio’ - uma coisa que sempre me
incomodou é essa mentalidade de que todo mundo é doido para ser popular e
chamar a atenção, estendendo isso até mesmo para os nerds. A minha
experiência com nerds é que não precisamos e muito menos queremos nos
comportar como crianças de colegial loucas por popularidade que, muitas
vezes, são aquelas que mais incomodam - mas sim apenas ficar no nosso
canto, sem buscar por aplausos por já estar feliz do
jeito que é – a razão, inclusive, que nunca pude gostar do seriado Glee e
sua premissa.
Acho que alguém que se diz nerd mas quer chamar a atenção com isso é, na verdade, não um nerd, mas um 'hipster' - a forma de agir, de se vestir de maneira esdrúxula, de fazer coisas 'nerds' porque está na 'moda' e querer sempre ser o centro das atenções. Já soube de alguém que levou um boneco, desses que também coleciono mas prefiro deixar em casa, para um evento qualquer e deu ataque de periquita quando não chamou a atenção que gostaria. -_-'
No entanto, nessa minha de igualar as bonecas com tal seriado devido às semelhanças temáticas, acabei não dando a elas chance alguma e não procurei saber mais, pois tinha pegado uma birra muito séria depois de dar até três chances a ele pensando que não poderia ser assim tão ruim. A única coisa que me agradava era olhar o trabalho de algumas customizadoras, mas nunca achei que viesse a gostar das pobres das MH.
Mas
devo admitir que tenho coração mole quando o assunto é bonecas. Como
não sabia que
havia um desenho animado, - sabia que se tratava de um colégio pelo
título da
coleção – imaginei que um possível comportamento das personagens não
poderia me incomodar como me incomoda no seriado em questão. Nesse
momento ainda não tinha
assistido a web série curtinha delas ou os filmes também curtos, e mesmo
depois que o fiz,
vi que era bastante diferente do seriado mesmo sendo um ambiente de
escola
americana semelhante. E, por mais que os primeiros episódios sejam bobos
e
sem desenvolvimento de personagens ou algum roteiro interessante, pelo
menos tive um
pouco de vontade de seguir assistindo já que há uma diferença gritante
entre episódios de seriado de colegiais babacas que magicamente
resolveram cantar e vídeozinhos de menos de dois minutos sobre
monstrinhas, mesmo que talvez patricinhas.
Acho que alguém que se diz nerd mas quer chamar a atenção com isso é, na verdade, não um nerd, mas um 'hipster' - a forma de agir, de se vestir de maneira esdrúxula, de fazer coisas 'nerds' porque está na 'moda' e querer sempre ser o centro das atenções. Já soube de alguém que levou um boneco, desses que também coleciono mas prefiro deixar em casa, para um evento qualquer e deu ataque de periquita quando não chamou a atenção que gostaria. -_-'
No entanto, nessa minha de igualar as bonecas com tal seriado devido às semelhanças temáticas, acabei não dando a elas chance alguma e não procurei saber mais, pois tinha pegado uma birra muito séria depois de dar até três chances a ele pensando que não poderia ser assim tão ruim. A única coisa que me agradava era olhar o trabalho de algumas customizadoras, mas nunca achei que viesse a gostar das pobres das MH.
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| Cleo e Nefera, pela artista EngelMech |
Além disso,
esse semestre resolvi treinar face-ups nos meus bonecos por ter conseguido um
resultado satisfatório durante as férias e achar que seria útil e, quem sabe,
até fonte de uma graninha extra quando eu conseguisse definitivamente fazer
face-ups decentes. E eis que me veio a idéia de pegar uma MH baratinha para
treinar, já que a escala poderia me ajudar a pegar a finura do traço no pincel.
Encontrei uma Draculaura na Amazon pela pechincha de $15, comprei e quando ela
chegou... bem, tenho que admitir que minha curiosidade ficou atiçada.
Foi aí que
resolvi dar a chance e começar a assistir os episódios de menos de dois
minutos, já que não doía nada e por eu não gostar de ter preconceitos sem
motivos ou justificativas. A
coisa é que quando a história começa a realmente ter um roteiro a ser
seguido, apesar de demorar um pouco, fica até interessante. Não é
nenhuma obra prima, nenhum avant-garde e muito menos um roteiro sério,
mas o engraçado é que o desenho animado ensina lições de moral que gente
com mais de vinte anos nas costas que conheço devia aprender. Há
inclusive conflitos familiares em um dos filmes, que, apesar de algumas
poucas pontas soltas, não deixa muito a desejar como um roteiro
apropriado para crianças que prenda a atenção. No fim das contas, as
personagens não são chatas nem, pelo menos pra mim, irritantes - por
mais que eu detestaria alguém na vida real parecido com a Cleo de Nile,
no desenho animado ela me faz rir. A Cleo é, aliás, a única que gosta de chamar a atenção e ser popular, sem concorrência por popularidade já que a maioria dos personagens prefere ficar na deles. Isso foi realmente inesperado.
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| 'Oh Cleo... talk is like the desert sand - it's worth nothing and changes direction with the four winds.' |
Outra
coisa
que gostei bastante foi a forma como variaram cada personagem em um
mesmo
contexto. Adicionaram tipos físicos diferentes, como a Draculaura, que é
a mais
pequenininha, e a Abbey, que é a maior e mais forçuda de todas, – apesar
da critica de que não há nenhuma personagem mais
gordinha poder ser apresentada – personalidades, etnias e até
nacionalidades. É fácil ver como a
Clawdeen é a típica negra norte-americana de personalidade forte e
decidida, ou a Operetta a perfeita Rockabilly
do interior, ou a Abbey a garota russa que tem costumes muito diferentes
das outras e muitas vezes é considerada grossa ou esquisita.
Claro, como
toda série feita para crianças de 8 a 12 anos, MH tem seus defeitos – a
presença constante da moda, vaidade e consumo sendo uma delas. Não me entra na cabeça como a
Draculaura, tendo seus 1600 anos de idade, ainda é obrigada a ir ao colégio e
se comporta igual ou até mais infantilmente que muitas das outras, ou como a
Frankie com poucos dias de vida já sabe falar, andar e até se vestir sozinha e pode ir direto pro colegial...
mas o público alvo provavelmente prefere que seja assim para que a história
fique mais simples e sejam capazes de se identificar. Afinal, se a
Draculaura se comportasse realmente como uma garota de 1600 anos, não acho que
ela conseguiria ter a imagem ‘fofa’ que atrai os fãs e dificilmente teria a
ingenuidade que tem, muito menos estaria no colégio. Não faz sentido... mas ainda assim a personagem é
carismática. oo'
Como
toda
história para crianças, MH tem seus vilões, sejam eles personagens que
fazem
sua aparição em um especial ou até o famoso ‘bully’ escolar,
representado por
Toralei e as gêmeas para as garotas, ou Manny Taur para os garotos. Mas
todos esses não são sempre colocados como grandes 'malvados' - confesso
que fiquei impressionada como conseguiram aprofundar esses personagens,
coisa inesperada em desenhos animados do gênero. A curiosidade me fez
ler o 'diário' que vem com a boneca da Toralei, onde ela mesma declara
que não entende a graça em 'chutar alguém que já está no chão',
emocionalmente falando... e inclusive dá uma ajuda em segredo a uma
garota que havia acabado de conhecer, jamais pegando para si os créditos
por isso. Pode ser coisa pequena que eu não notaria, se não tivesse
conhecido uma criatura que espalha para o mundo qualquer pequeno favor
que fez a alguém, o que faz parecer que ela só ajudava para se
vangloriar depois - e depois de um tempo, notei que era realmente isso.
Foi aí que comecei a gostar mais dessa personagem. Por isso e pela cena
que fizeram com ela e um laser. Acho que a pessoa que pensou nisso
conhecia gatos muito bem. XD
Outra
sacada legal foram os zumbis, que tem uma língua própria de gemidos e
grunhidos e se movem praticamente em câmera lenta, além de serem temidos
só quando andam em bando. A zumbi do grupo principal, inclusive, é uma
nerd viciada em quadrinhos que sonha em ir à Comic Con - o que achei
genial, já que normalmente os fãs de zumbis costumam ser os nerds e não
qualquer garotinha que gosta de lobisomens ou vampiros por ter assistido
a saga Crepúsculo (argh) ou ser viciadinha nos contos da Anne Rice.
Talvez seja pedir muito a Mattel, mas uma referência ao contemporâneo
the Walkind Dead poderia ser bem interessante. Uma pena que não acho que
fariam um especial com um ataque zumbi - zumbis mordendo, pessoas
sangrando e violência escatológica não me parece adequado à proposta
deles.
No fim das contas, Monster High não é lá a maior criação de todas, com o roteiro mais interessante ou os melhores personagens de todos... mas me diverte e, graças ao time de criação da Mattel, não apela pra uma certa modinha profundamente irritante que anda sendo enfiada em tudo hoje em dia como se fosse prestação de serviço social. Quem tiver um tempinho livre e quiser rir um pouco enquanto almoça na frente do pc, como eu costumo fazer, pode tentar checar pra ver se agrada.
A mim agradou e me fez perder o preconceito que tinha antes. :3
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| Tenha gatos, eles disseram. Vai ser divertido... |
No fim das contas, Monster High não é lá a maior criação de todas, com o roteiro mais interessante ou os melhores personagens de todos... mas me diverte e, graças ao time de criação da Mattel, não apela pra uma certa modinha profundamente irritante que anda sendo enfiada em tudo hoje em dia como se fosse prestação de serviço social. Quem tiver um tempinho livre e quiser rir um pouco enquanto almoça na frente do pc, como eu costumo fazer, pode tentar checar pra ver se agrada.
A mim agradou e me fez perder o preconceito que tinha antes. :3







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