Sunday, April 7, 2013

Be yourself, be unique, sem precisar de aplausos

Já faz alguns poucos anos que as bonecas conhecidas como Monster High andam invadindo as prateleiras das lojas de brinquedo e desaparecendo em questão de poucos dias graças a sua popularidade com crianças e com colecionadores mais velhos... e faz algumas semanas que elas resolveram invadir o meu quarto. 

Sério isso? õo
Confesso que, quando vim a conhecê-las, não achei grande coisa. Parte de mim não queria se deixar gostar por algum tipo de preconceito tanto com ‘fashion dolls’ quanto com esse conceito de ‘monstros no colégio’ - uma coisa que sempre me incomodou é essa mentalidade de que todo mundo é doido para ser popular e chamar a atenção, estendendo isso até mesmo para os nerds. A minha experiência com nerds é que  não precisamos e muito menos queremos nos comportar como crianças de colegial loucas por popularidade que, muitas vezes, são aquelas que mais incomodam - mas sim apenas ficar no nosso canto, sem buscar por aplausos por já estar feliz do jeito que é – a razão, inclusive, que nunca pude gostar do seriado Glee e sua premissa. 

Acho que alguém que se diz nerd mas quer chamar a atenção com isso é, na verdade, não um nerd, mas um 'hipster' - a forma de agir, de se vestir de maneira esdrúxula, de fazer coisas 'nerds' porque está na 'moda' e querer sempre ser o centro das atenções. Já soube de alguém que levou um boneco, desses que também coleciono mas prefiro deixar em casa, para um evento qualquer e deu ataque de periquita quando não chamou a atenção que gostaria. -_-' 

No entanto, nessa minha de igualar as bonecas com tal seriado devido às semelhanças temáticas, acabei não dando a elas chance alguma e não procurei saber mais, pois tinha pegado uma birra muito séria depois de dar até três chances a ele pensando que não poderia ser assim tão ruim. A única coisa que me agradava era olhar o trabalho de algumas customizadoras, mas nunca achei que viesse a gostar das pobres das MH. 


Cleo e Nefera, pela artista EngelMech
 Mas devo admitir que tenho coração mole quando o assunto é bonecas. Como não sabia que havia um desenho animado, - sabia que se tratava de um colégio pelo título da coleção – imaginei que um possível comportamento das personagens não poderia me incomodar como me incomoda no seriado em questão. Nesse momento ainda não tinha assistido a web série curtinha delas ou os filmes também curtos, e mesmo depois que o fiz, vi que era bastante diferente do seriado mesmo sendo um ambiente de escola americana semelhante. E, por mais que os primeiros episódios sejam bobos e sem desenvolvimento de personagens ou algum roteiro interessante, pelo menos tive um pouco de vontade de seguir assistindo já que há uma diferença gritante entre episódios de seriado de colegiais babacas que magicamente resolveram cantar e vídeozinhos de menos de dois minutos sobre monstrinhas, mesmo que talvez patricinhas.

Além disso, esse semestre resolvi treinar face-ups nos meus bonecos por ter conseguido um resultado satisfatório durante as férias e achar que seria útil e, quem sabe, até fonte de uma graninha extra quando eu conseguisse definitivamente fazer face-ups decentes. E eis que me veio a idéia de pegar uma MH baratinha para treinar, já que a escala poderia me ajudar a pegar a finura do traço no pincel. Encontrei uma Draculaura na Amazon pela pechincha de $15, comprei e quando ela chegou... bem, tenho que admitir que minha curiosidade ficou atiçada. 

Foi aí que resolvi dar a chance e começar a assistir os episódios de menos de dois minutos, já que não doía nada e por eu não gostar de ter preconceitos sem motivos ou justificativas. A coisa é que quando a história começa a realmente ter um roteiro a ser seguido, apesar de demorar um pouco, fica até interessante. Não é nenhuma obra prima, nenhum avant-garde e muito menos um roteiro sério, mas o engraçado é que o desenho animado ensina lições de moral que gente com mais de vinte anos nas costas que conheço devia aprender. Há inclusive conflitos familiares em um dos filmes, que, apesar de algumas poucas pontas soltas, não deixa muito a desejar como um roteiro apropriado para crianças que prenda a atenção. No fim das contas, as personagens não são chatas nem, pelo menos pra mim, irritantes - por mais que eu detestaria alguém na vida real parecido com a Cleo de Nile, no desenho animado ela me faz rir. A Cleo é, aliás, a única que gosta de chamar a atenção e ser popular, sem concorrência por popularidade já que a maioria dos personagens prefere ficar na deles. Isso foi realmente inesperado.  


'Oh Cleo... talk is like the desert sand - it's worth nothing and changes direction with the four winds.'
 A coisa legal é: as personagens de MH tem seus defeitos, e os roteiristas não sentiram a obrigação de fazer com que os defeitos de cada uma fossem transformados em coisas boas e muito menos fazê-las lutar a unhas e dentes para parecem as melhores pessoas do mundo, o que poderia vir a tornar todas tão insuportáveis quando – novamente, minha opinião – um certo personagem muito popular do seriado citado que eu simplesmente não consigo olha pra cara. As personagens tem seus defeitos e não precisam de aplausos, pelo contrário – elas admitem e sabem das mancadas que dão. Não precisam provar a ninguém como seus defeitos não são defeitos. E é isso que me atraiu nelas. As tais – como elas mesmas chamam – ‘Freaky Flaws’. 


 'Candy is like cheese from Yak - it gets better with age.'
Outra coisa que gostei bastante foi a forma como variaram cada personagem em um mesmo contexto. Adicionaram tipos físicos diferentes, como a Draculaura, que é a mais pequenininha, e a Abbey, que é a maior e mais forçuda de todas, – apesar da critica de que não há nenhuma personagem mais gordinha poder ser apresentada – personalidades, etnias e até nacionalidades. É fácil ver como a Clawdeen é a típica negra norte-americana de personalidade forte e decidida, ou a Operetta a perfeita Rockabilly do interior, ou a Abbey a garota russa que tem costumes muito diferentes das outras e muitas vezes é considerada grossa ou esquisita.


'Ghouls, I spend a lot of time in the catacombs and I ain't never heard of it.'
Claro, como toda série feita para crianças de 8 a 12 anos, MH tem seus defeitos – a presença constante da moda, vaidade e consumo sendo uma delas. Não me entra na cabeça como a Draculaura, tendo seus 1600 anos de idade, ainda é obrigada a ir ao colégio e se comporta igual ou até mais infantilmente que muitas das outras, ou como a Frankie com poucos dias de vida já sabe falar, andar e até se vestir sozinha e pode ir direto pro colegial... mas o público alvo provavelmente prefere que seja assim para que a história fique mais simples e sejam capazes de se identificar. Afinal, se a Draculaura se comportasse realmente como uma garota de 1600 anos, não acho que ela conseguiria ter a imagem ‘fofa’ que atrai os fãs e dificilmente teria a ingenuidade que tem, muito menos estaria no colégio. Não faz sentido... mas ainda assim a personagem é carismática. oo'


Toralei, que já fez o papel de antagonista na grande maioria das vezes...
Como toda história para crianças, MH tem seus vilões, sejam eles personagens que fazem sua aparição em um especial ou até o famoso ‘bully’ escolar, representado por Toralei e as gêmeas para as garotas, ou Manny Taur para os garotos. Mas todos esses não são sempre colocados como grandes 'malvados' - confesso que fiquei impressionada como conseguiram aprofundar esses personagens, coisa inesperada em desenhos animados do gênero. A curiosidade me fez ler o 'diário' que vem com a boneca da Toralei, onde ela mesma declara que não entende a graça em 'chutar alguém que já está no chão', emocionalmente falando... e inclusive dá uma ajuda em segredo a uma garota que havia acabado de conhecer, jamais pegando para si os créditos por isso. Pode ser coisa pequena que eu não notaria, se não tivesse conhecido uma criatura que espalha para o mundo qualquer pequeno favor que fez a alguém, o que faz parecer que ela só ajudava para se vangloriar depois - e depois de um tempo, notei que era realmente isso. Foi aí que comecei a gostar mais dessa personagem. Por isso e pela cena que fizeram com ela e um laser. Acho que a pessoa que pensou nisso conhecia gatos muito bem. XD 


Tenha gatos, eles disseram. Vai ser divertido...
Outra sacada legal foram os zumbis, que tem uma língua própria de gemidos e grunhidos e se movem praticamente em câmera lenta, além de serem temidos só quando andam em bando. A zumbi do grupo principal, inclusive, é uma nerd viciada em quadrinhos que sonha em ir à Comic Con - o que achei genial, já que normalmente os fãs de zumbis costumam ser os nerds e não qualquer garotinha que gosta de lobisomens ou vampiros por ter assistido a saga Crepúsculo (argh) ou ser viciadinha nos contos da Anne Rice. Talvez seja pedir muito a Mattel, mas uma referência ao contemporâneo the Walkind Dead poderia ser bem interessante. Uma pena que não acho que fariam um especial com um ataque zumbi - zumbis mordendo, pessoas sangrando e violência escatológica não me parece adequado à proposta deles. 

No fim das contas, Monster High não é lá a maior criação de todas, com o roteiro mais interessante ou os melhores personagens de todos... mas me diverte e, graças ao time de criação da Mattel, não apela pra uma certa modinha profundamente irritante que anda sendo enfiada em tudo hoje em dia como se fosse prestação de serviço social. Quem tiver um tempinho livre e quiser rir um pouco enquanto almoça na frente do pc, como eu costumo fazer, pode tentar checar pra ver se agrada. 

A mim agradou e me fez perder o preconceito que tinha antes. :3

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