Em plena época de mudança e de carregar caixas de papelão enormes pra lá e pra cá é que notei, com ainda mais certeza, como cada grupo social tem seu conjunto de atitudes.
Parte do que senti pode ser uma birra recente pelo fato de que todo indivíduo do grupo em questão já foi ou filha da puta comigo, ou teve atitudes desrespeitosas com outras pessoas... mas a questão é que a minha paciência chegou ao limite, mesmo. Não vou dizer com todos, porque todo grupo social tem suas exceções boas e seus extremos ruins, mas estou me referindo àqueles que, como o tema é cavalheirismo, tem 'nojo' ou 'raiva' de mulheres.
Sim, me vejo no direito de criticar porque sim, me sinto ofendida quando alguém diz que tem 'nojo' de mim só por causa do meu sexo, ok? Isso já é discriminação e quem discrimina, não tem direito de reclamar quando ouvir o que não gosta sobre si. Aliás, isso não é uma crítica àqueles com bom senso e sem dor de cotovelo contra quem não tem nada a ver com a escolha deles, e que sabem manter a educação com todos como qualquer pessoa civilizada deveria fazer. Estou criticando especificamente essa parcela do grupo que se acha especial a ponto de poder discriminar outros só por se verem como vítimas.
Tenho o hábito de receber muita coisa pelo correio, entre elas, caixas relativamente pesadas. Pego meus pacotes numa central a 15 minutos a pé do meu apartamento, e como não tenho carro aqui na cidade, levo todos os meus pacotes a pé até o quarto andar do meu prédio sem elevador.
Não reclamo de nada disso porque tudo pode ser pior - pelo menos tenho a vantagem de não precisar estar em casa pra receber um pacote, de não ter problemas com alfândega, e de saber que nessa central, meu pacote está em segurança. E também não reclamo porque por vezes recebi ajuda para carregar os pacotes, em algumas ocasiões.
Uma vez, foi um casal da minha faculdade que me ajudou a levar uns três pacotes até a porta do meu apto. Outra, um garoto normal, estudante de matemática, que também me ajudou até a porta. Uma terceira, um senhorzinho em seus mais de 70 anos que apesar de estar ocupado fazendo campanha da própria igreja - e olha que não sou uma pessoa religiosa - ofereceu levar um pacote grande, pesado mesmo, o caminho todo do correio até minha casa e depois voltar a pé sozinho, sendo que era visível que no final do trajeto de ida o pobrezinho estava exausto. E a quarta, uma moça, mãe de algum estudante, me ajudou com um equipamento de fotografia até o prédio de artes.
Não estou acostumada com esse tipo de ajuda porque onde morava com minha família, o pessoal é nariz empinado mesmo e nem olha pra quem precisa de ajuda, e portanto fiquei realmente agradecida. Aconteceu apenas uma vez por semestre, fato, é relativamente pouco... mas aconteceu.
Eis que hoje fui comprar caixas de papelão do Storage Center quando coincidentemente encontrei o caminhão deles perto de casa. Comprei umas várias porque sempre - parece lei de Murphy - SEMPRE perco esse caminhão e se não for ele, tenho que comprar caixas grandes que se eu encher de livros, são simplesmente incarregáveis, enquanto eles vendem umas menores que apesar de ficarem pesadas, consigo erguer sozinha. Mas eu por vezes subestimo o peso do papelão em si... e bom, não preciso nem dizer que apesar do trajeto ser só de 7 minutos, me levou quase 20.
Mas o assunto não é quanto pesa o papelão - mas sim, a atitude da criatura que caminhou do meu lado, indo na mesma direção, claramente membro dessa parte do grupo acima descrito... e, em vez de ajudar, esperou que eu olhasse pra ele pra desviar o olhar de mim, - que sim, ele estava olhando - arrebitar o nariz e sair andando mais rápido na minha frente.
Não é obrigação de ninguém ajudar ninguém. Obrigação, não é - é apenas educação, bom senso, gentileza. Não espero que o mundo me ajude, aliás, andei aprendendo a nunca depender de mais ninguém pra não acabar me machucando. O que me deixou realmente fula e com vontade de matar... foi a arrebitada de nariz e a aceleradinha com quadril rebolando, sabendo que essa criatura viu, sim, que eu estava com dificuldade pra carregar aquilo e que ainda era muito menor do que ele. São essas atitudes que me faz ter asco desse tipo de gente e que me impede de ser uma boa pessoa a todo momento. -_-'
Mas pra que eu seria uma boa pessoa com alguém que tem nojo de mim?
Pois é, a sociedade moderna e suas modinhas, liberdades e essa mania adolescente-tardia de se achar superior por ser diferente e querer se vitimar mesmo tendo uma vida melhor que a média tem matado o que se lutou tanto pra conquistar. Igualdade agora é um eufemismo pra complexo de superioridade e tratamento VIP, pra algumas pessoas... que, na minha opinião, perdem todo o argumento quando tentam forçar sua presença sobre os outros. O cavalheirismo hoje em dia está morto, pelo menos na maioria das pessoas, assim como algum restinho de moral e bons costumes.
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